Setor ferroviário debate investimentos e preocupações com a indústria nacional
Por: anaazevedo
Publicado em 1 de abril de 2025 - Atualizado em 1 de abril de 2025 às 14:39
O recente leilão das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM demonstra a continuidade da estratégia do Governo do Estado de São Paulo de transferir a operação das linhas ferroviárias para a iniciativa privada. Esse movimento reforça uma tendência observada também na Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, operada por um grupo espanhol, e no Trem Intercidades (TIC), que ligará São Paulo a Campinas.
O processo de concessão tem atraído importantes investimentos privados no setor, como os das empresas brasileiras CCR e Comporte, que assumiram a gestão das novas linhas concedidas. Esse fator é positivo para a modernização do transporte ferroviário e para a economia nacional, pois garante que os recursos permaneçam no país.
Contudo, o SIMEFRE alerta para uma preocupação central: a indústria nacional precisa ser contemplada no fornecimento de equipamentos e materiais para esses projetos. Parte dos financiamentos para as concessões ferroviárias provém do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição que tem como missão fomentar a economia brasileira. Dessa forma, é fundamental que os recursos investidos pelo banco não sejam desviados para a aquisição de equipamentos importados, beneficiando a indústria estrangeira em detrimento da produção nacional.
“O Brasil precisa garantir que os financiamentos concedidos pelo BNDES e outros órgãos federais incentivem a indústria ferroviária brasileira, gerando emprego e fortalecendo a cadeia produtiva local”, ressalta Massimo Giavina, 1º vice-presidente do SIMEFRE.
A entidade defende que o governo estadual e federal implementem mecanismos que assegurem a priorização da indústria nacional na aquisição de equipamentos e trens, fortalecendo o setor e garantindo o desenvolvimento tecnológico e industrial do país. O SIMEFRE continuará acompanhando de perto esses movimentos e buscando diálogo com o governo para garantir que as políticas públicas beneficiem a indústria ferroviária nacional.